MANIFESTO MATRIDANÇA | corpo e movimento para mulheres

A MATRIDANÇA foi criada em 2011 e desenvolvida lentamente desde aí. Surgiu da necessidade de reunir e centrar diferentes práticas somáticas e energéticas, linguagens do movimento e abordagens anatómicas, para o corpo e design feminino. Como mulher, senti urgência numa arte que celebre e relembre a nossa experiência particular, os nossos ciclos e a integridade dos nossos corpos sagrados. Hoje, recebo diariamente a confirmação na Matridança, que através dessa celebração e memória, jorra ferozmente a nossa intuição, criatividade e propósito!

A MATRIDANÇA parte da herança quase inesgotável das danças e rituais tradicionais do feminino – com foco geográfico no Médio Oriente, Norte de África e Mediterrâneo – tal como da perceção consciente e experiencial deste corpo único e especial que habitamos. Com alicerces sólidos e profundos, podemos ir à descoberta do movimento livre e próprio de cada uma – pois é (infelizmente) natural termos uma sensação assustadora do condicionamento social refletido nos nossos gestos e presença feminina. Então, uma das mais férteis sementes lançadas na MATRIDANÇA, é a reeducação e reapropriação da sexualidade e do erotismo na mulher e no seu movimento – não pelo/para o outro, o voyeur, o público, mas para a compreensão, real e transcendente, das nossa origens humanas mais profundas. Aqui tocamos a fonte: todas viemos do Eros e todas nascemos de uma matriz – a nossa mãe.
Esta fonte inclui sentirmos que somos parte de uma Mãe maior, ou sentirmos que somos Natureza – nem acima, nem abaixo dela. Somos parte dela, mas na azáfama quotidiana e no paradigma que nos rodeia, este ponto é profundamente desacreditado, ou no mínimo, ignorado e esquecido. E se sabemos agora que o o movimento é a primeira forma de perceção que conhecemos – ainda como embriões na barriga das nossas mães – não será através dele que poderemos reconhecer e relembrar de forma visceral, a vida e os seus elementos primordiais – mineral, vegetal, animal, humana, cósmica?

Por tudo isto, mas essencialmente pela vontade de ver novamente e intensamente mulheres a dançarem entre si e para si, a MATRIDANÇA nasceu! Desejo cumprir o sonho, a visão, de um Feminino Desconhecido que regenerará de forma surpreendente a comunidade vindoura – uma comunidade que é absolutamente imprescindível que venha através de nós, mulheres renascidas e inteiras!

Conteúdos:

  • Sexualidade e Anatomia Feminina – anatomia íntima, ciclos do sangue na mulher, sistemas do corpo, corpo erótico;
  • Danças tradicionais e rituais do Mediterrâneo, Norte de África e Médio Oriente;
  • Técnicas essenciais de dança butoh e arqueologia do movimento, selvagem e primordial;
  • Práticas somáticas e energéticas tradicionais e contemporâneas: Tantra Yoga, Xamanismo, Sexological Bodywork, Anatomia Experiencial.
  • Técnicas de criação individual e coletiva; Composição em Tempo Real (método João Fiadeiro), Jinen-Butoh; abordagens teatrais e dramatúrgicas.
 Objectivos:
1. Criar um solo fértil para a exploração da dança de, e para mulheres, e facilitar ferramentas para estas acederem ao conhecimento do seu corpo e do seu movimento arcaico e ancestral.
2. Reeducar na área da sexualidade e do erotismo, sustentando e incentivando o processo de descondicionamento sexual feminino e a reaprendizagem da anatomia feminina completa e de natureza cíclica.
3. Inspirar uma comunidade centrada na matriz feminina; uma comunidade que abraça as diferenças e a polaridade sexual, fortalecendo os laços entre mulheres, o auto-conhecimento no coletivo em círculo, e o estabelecimento das prioridades femininas – partindo das suas experiências particulares da arte, do prazer, da maternidade, dos ciclos da vida, etc.
4. Nutrir a integração ecológica, desenvolvendo a observação da natureza e do mundo natural através do corpo e do movimento; questionar os hábitos adquiridos na nossa relação com a Terra e repensar como equilibrar esta relação – criando uma sinergia de arte e ação, e motivando o nosso impacto e poder na comunidade.
5. Ancorar a visão do Feminino Desconhecido, com a visão e o corpo de cada mulher; abrir espaço para o novo, para a regeneração e transformação, e contribuir para a materialização de um feminino onde as marcas da sua história e do seu condicionamento sexual, intelectual, emocional e espiritual se dissolvem.
Assim Seja, Assim É, Assim Será