Gestos de Afrodite e não só

Desde as heranças que as nossas ancestrais nos deixaram através de várias formas às vezes invisíveis, partimos de memórias que nos são sopradas para as tornarmos mais presença, corpo, matéria. Investigamos sobre diferentes universos de vidas que já foram vividas, trilhando e compondo caminhos para se revelarem. Encontramos maneiras diferentes de transmissão de conhecimento. Comer é conhecer, é tocar; espirros e soluços pulam de geração em geração. Entrelaçamos o êxtase com a monotonia da vida de mulheres fêmeas, seres e mitos da nossa árvore genealógica. Interessa-nos o processo de contágio no feminino e os vestígios de uma matriz em que vamos encontrar imagens e pensamentos como:

mulheres que não saltam, gente que reza,
pessoas que morrem de amor,
partos, viagens,
famílias que vendem peixe,
cabelos escondidos debaixo de um lenço durante o dia e soltos à noite,
loucura que não se sabe donde vem, segredos que se tornam músculos,
mulher portuguesa sem certeza.

Criação e performance | Cláudia Laia e Vera Eva Ham
Fotografia | Fernando Costa
Centro Cultural Malaposta 2013