QUEM SOU

Sou Vera Eva Ham.
Nasci em Lisboa, em 1980. Sou mãe, criadora, dançante, alquimista. Com formação em música, artes plásticas, performance, teatro, danças rituais do mundo, flamenco, butoh, tantra yoga, composição em tempo real, sexualidade sagrada –  e desde que me conheço, à procura de um feminino desconhecido e do seu corpo matriz.

Neste percurso de corpo e movimento ao longo de 18 anos, aprendi de forma mais marcante com Cláudia Dias, Atsushi Takenouchi (Japão) e Yuko Ota (Japão), mas também com Gyohei Zaitsu (Japão), Mehdi Farajpour (Irão) e muitas mestras de flamenco e danças do médio oriente entre Granada e Lisboa.

Na criação de dança, fui explorando começos com as danças e rituais do feminino; com o butoh no projeto a solo Sombra Clara (Centro Cultural da Malaposta, Teatro Ibérico e Teatro Fórum de Moura – 2008/10); com os lugares específicos, em duo com Yuko Ota, na criação Além duas mulheres a dançar para as ruínas do Convento de Moura (2010). Viajar pela Velha Europa entre 2004/06- dançando e criando em tempo real, nas ruas, praças e paisagens, com músicos, artistas e companheiros do caminho, marcou a forma como sinto o espaço e os lugares quotidianos e sagrados da vida.

A partir de 2011 iniciei uma pesquisa sobre personagens femininas na bíblia, que originou a trilogia Feminae Vulgata para lugares específicos: 1#Eva– guardiã obstinada da nudez paradisíaca, no exterior da Biblioteca Orlando Ribeiro (2012);2#Salomé acompanhada por registo fotográfico de Luís Conde no Cabo Espichel (2014); e 3#Madalena Mudra, no jardim e dome da Senhora da Azenha (2015) e nas salas e escadarias do Capricho Setubalense (2016).

Desde 2011 desenvolvo paralelamente o projeto educativo Matridança, corpo e movimento para mulheres, que tem como pilar os rituais femininos ancestrais, a dança butoh e a reeducação da sexualidade feminina no seu contexto sagrado e orgânico. Com este propósito, fundei também em 2015 a Companhia Matridança: um coletivo de mulheres com diferentes idades, formas e feitios, unidas pela vontade de dançarem entre si e para si, e de partilharem finalmente a sua dança com a comunidade. Em 2016 a Companhia estreou a sua primeira criação, Arché no principio era eterno, no Cine-Teatro S.João em Palmela, e em 2017 a 2ª criação para palco TRANS na terra o céu em antestreia na Semana da Dança de Palmela e estreia no C.C Malaposta, assim como a performance de rua “E se as Árvores falassem” ao redor de temáticas de ecologia profunda.

Como educadora e alquimista, realizo regularmente cí­rculos e rituais para mulheres, travessias na Natureza, sessões individuais, workshops de butoh e Corpo Matriz, e formações de 150 horas MATRIDANÇA| corpo e movimento para mulheres – um projeto de pesquisa e educação com certificação do Conselho Internacional de dança da UNESCO, da qual sou membro.

Desenvolvi recentemente o projeto Mátria o corpo antes da história: vídeo e performance para lugares em sinergia com a pré-história e o sagrado em Portugal, em colaboração com o realizador e músico Carlos Alberto Cavaco. A primeira fase iniciou em Outubro de 2016 nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, apoiado pela Direção Regional da Cultura do Algarve, e em 2018 trará mais frutos, novos lugares e  velhas peregrinações.

Atualmente, habito com o meu companheiro e filha entre a Aldeia do Meco e o Cabo Espichel, onde inspiro a minha constante aprendizagem através da natureza, céu e terra envolvente, através dos seus ciclos específicos, e das plantas e animais que  comigo coabitam. E crio para 2018 um projeto que pretende cruzar um mergulho para dentro do corpo, com um mergulho para fora deste – uma espécie de astro-anatomia experiencial a ser cozinhada em lume brando com mitos, constelações, astros e direções. Tudo neste InCorpus – que é pensamento, emoções, vísceras e, essencialmente, mistério, espanto. Espero trazer datas para um palco próximo muito em breve, sendo que um dos capítulos desta criação viajará a Atenas em Julho, onde será apresentado no World Congress of Dance Research da UNESCO.